Quaresma: Oração, a Esmola e o Jejum

CONHECE-TE A TI MESMO…”

Pe. Josimar Baggio, scj.

 

Sócrates, filósofo grego da Antiguidade, encantou-se com a convocação “Conhece-te a ti mesmo” inscrita na entrada do Templo de Delfos, em Atenas. O dizer é considerado um aforismo, ou seja, um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência. Neste caso, parece ser um princípio e uma advertência importantes também para os homens e as mulheres do mundo atribulado de hoje.

 

De fato, o autoconhecimento tem sido tema de muitos cursos não somente na área da filosofia, da psicologia ou de outras disciplinas das chamadas “humanas”; mas também executivos, administradores, economistas, vendedores e outros profissionais têm descoberto aquilo que encantou Sócrates.

 

É essencial conhecer a nós mesmos e ter sempre os pés no chão de nossa história, de nossas vivências da infância, da adolescência, observando nossa personalidade e nas características próprias, que nos fazem ser quem somos. Para tanto, é preciso olhar para nós mesmos e buscar compreender nossos sentimentos, nosso modo de nos relacionarmos com as pessoas, com Deus, nossas características positivas (virtudes) e negativas (vícios, limites). Quem conhece a si mesmo adquire uma segurança interior e uma estabilidade maior, que lhe possibilitam elementos sólidos de lidar bem com as eventualidades da vida, com os sofrimentos, com aquilo que não nos agrada.

No tempo da Quaresma, a Igreja nos propõe três gestos concretos que favorecem o nosso autoconhecimento: a Oração, a Esmola e o Jejum. A Oração é um meio eficaz de nos aproximarmos de Deus, descobrirmos nele o Absoluto de nossa vida e Nele encontrarmos o nosso verdadeiro “eu”. A Esmola é um ato concreto que demonstra o nosso desejo de nos comprometermos com a vida daqueles que sofrem, dos excluídos e, ao mesmo tempo, do desejo de nos apegarmos cada vez mais aos bens perenes. O Jejum, por sua vez, é uma atitude que recorda o nosso desejo de termos o domínio sobre os nossos próprios desejos interiores, mantendo o equilíbrio sobre nós mesmos.

 

Esses três gestos (muito práticos) fazem com que nos exercitemos em conhecer a nós mesmos. A partir deles (embora sejam gestos singelos e simples) podemos aprofundar o nosso modo de nos relacionarmos conosco mesmos, com os outros e com Deus. Para nós cristãos, conhecer a nós mesmos é, antes de tudo, reconhecer a primazia de Deus na nossa vida, reconhecer Nele nossa origem e para onde caminhamos. Conhecer a nós mesmos é saber que não estamos sozinhos e precisamos nos comprometer com as demais pessoas, principalmente com aqueles que mais sofrem, a quem devemos ser solidários.

 

Por fim, é possível afirmar que o “Conhece-te a ti mesmo” que inquietou e encantou Sócrates também encantou a Igreja e deve nos encantar… Que utilizemos os meios recomendados pela Igreja, sábia Mãe e Mestra, para conhecermos melhor a nós mesmos e, assim, caminharmos cada vez mais serenos rumo à plenitude, à felicidade pensada por Deus para cada um de nós.

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