QUARESMA

Iniciamos um tempo litúrgico importantíssimo. A igreja se reveste da cor roxa justamente para nos fazer um apelo vigoroso à conversão: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Somos impelidos a viver intensamente a Quaresma, este tempo clássico de renovação espiritual. É um Retiro Espiritual que se estende até a Páscoa do Senhor.
Isto diz o Senhor: “Voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai vossos corações…” (Jl 2,12-13). Estas palavras nos inserem num contexto de conversão, cujo elemento essencial é a contrição do coração: o coração dilacerado, esmagado pelo arrependimento dos pecados, levando a uma mudança séria de vida.
A Quaresma é este momento privilegiado de Conversão: “Eis o momento favorável, eis o dia da salvação” (2Cor 6,2), diz o Apóstolo Paulo. Compete a cada um de nós, homens e mulheres do nosso tempo, próximos ou distantes do Senhor, fazer dela um momento decisivo para a história da própria salvação.
O próprio Jesus nos indica no Evangelho (Mt 6,16.16-18) os meios mais importantes e que não podem faltar a qualquer esforço de conversão: a esmola, a oração e o jejum, com tudo o que isso significa. E insiste sobretudo nas disposições interiores que os tornam eficazes. A Esmola “expia os pecados” (Eclo 3,30), mas quando é realizada unicamente para agradar a Deus e para ajudar e promover os necessitados e não para atrair louvores. A Oração nos faz entrar em comunhão com Deus e nos concede a sua graça, desde que brote do mais íntimo do santuário do coração e não quando é ostentação ou mero conjunto de palavras saído dos lábios. O Jejum é sacrifício agradável a Deus e perdoa as culpas, desde que a mortificação do corpo seja acompanhada por outra mortificação mais importante, ou seja, a do amor próprio. Não é importante diante de Deus o que se faz, mas as disposições do coração, presentes no que se faz. Por isso, conclui Jesus: “…teu Pai que vê o interior, recompensar-te-á” (Mt 6,4.6.18) perdoando os seus pecados e concedendo-lhe graça sobre graça.
Especialmente neste tempo quaresmal, neste grande Retiro Espiritual, tenhamos os olhos do nosso coração, voltados para o céu de onde emana toda a graça. Igualmente, cheios de esmerada compaixão, tenhamos nossos olhos e nossas mãos voltadas para os nossos irmãos, principalmente na direção daqueles que mais sofrem. Assim, na manhã da ressurreição, estaremos prontos para viver de maneira jubilosa, em união profunda com Jesus, a experiência inefável da Sua ressurreição.

Pe. Luiz Antonio de Faria,scj

compartilhar