24 de novembro de 2019- São Columbano – abade

Os monges irlandeses foram grandes viajantes, indo para longínquas terras impulsionados pelo desejo de pregar o Evangelho. São Columba, pela metade do século VI, converteu ao cristianismo os pites, cujo território recebeu o nome de Escócia (nome até então limitado a Irlanda). Pouco depois, o quase homônimo são Columbano (conhecido também com os nomes de Colum, Colman, Palumba ou Columba), deixou por sua vez a Irlanda para ir ao continente. Nascido em 528, fez a sua preparação humanística e religiosa em um mosteiro da Irlanda do Norte, em Bangor, sob a direção de são Comgall. É o período em que a Irlanda, chamada “a ilha dos santos”, conta com riquíssima proliferação de santos missionários. Com são Columbano partiram para a Europa um grupo de seis discípulos para aí difundir a vida monástica irlandesa: são Quiliano em Arras, são Gallo no lago de Constância, onde a célebre abadia por ele fundada perpetua o seu nome, são Fursy em Peronne, são Romualdo em Malines, são Livino em Gand, são Virgílio em Salisburgo.

Poucos conhecem a origem irlandesa de são Frediano, venerado em Lucas, santo Urso em Aosta, são Donato em Fiesole, são Folco em Placência, santo Emiliano em Faenza, são Cataldo na Púglia e no coração da Sicília. O próprio são Columbano chegou à Itália e fundou em Bobbio o quinto dos seus célebres mosteiros: os primeiros ele os havia fundado em Luxeuil e em Fontaines na Borgonha, em seguida, em Faremoutiers e em Jouarre. Numa hora de declínio da primitiva cristandade, devido às invasões dos povos germânicos, o florescimento das missões irlandesas de são Columbano foi uma transfusão de linfa generosa por toda a Europa.

São Columbano teve por isso o apelido de “gigante da estatura europeia”. Foi missionário movido por autêntico espírito apostólico e por grande caridade, embora seu temperamento fosse julgado extremamente duro. Foi expulso de Luxeuil, por causa da sua inflexibilidade, pela avó do jovem rei Thierri, que sucedeu ao magnânimo Gontrano. Antes de embarcar de Nantes escreveu uma bela carta aos seus monges com frases ardentes como esta: “Se tirarem a liberdade de alguém, tiram-lhe a dignidade”.

A embarcação, que devia levá-lo para a Irlanda, encontrou vento contrário e o santo missionário, interpretando aquilo como indica-ção da Providência, pôs-se a caminho para o sul, chegando à Itália, onde o rei longobardo Agilulfo e a rainha Teodolinda permi-ti-ram-lhe fundar o mosteiro de Bobbio, em 614, um ano antes de sua morte.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

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